Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

Alguma História dos bairros

ola pessoal, encontrei um bocado de história dos bairros de lisboa que participam ou já participaram nas marchas de Lisboa desde já peço desculpa para o caso de faltar algum bairro,

 

Este post devido ao seu tamanho foi dividido em dois

 

MARCHAS POPULARES DE LISBOA
Bairro da AJUDA

 


“No topo de uma das colinas de Lisboa encontra-se o bairro da AJUDA . Entre a fresca brisa do Tejo e os rumores das árvores do Monsanto. Ruelas castiças e casario simples que tornam o bairro um dos mais agradáveis da capital”

A FLORESTA
ÀS PORTAS DE LISBOA

Outrora, considerada arrabalde de Lisboa, e caracterizada pela floresta e pela actividade pastorícia, a Ajuda ficou, desde cedo, ligada à realeza, transformando-se numa zona onde se misturavam as residências aristocráticas e as moradias populares. Segundo a lenda, a Ajuda começou a ser povoada quando se espalhou a notícia de uma aparição da Virgem a um pastor que lhe tinha pedido ajuda. Os devotos chamaram-lhe Nossa Senhora da Ajuda e a Rainha Catarina, mulher de D. João lll, mandou erigir uma ermida no local da aparição. A freguesia nasceu no século XVl, com características tipicamente rurais. Rebanhos e pastores deambulavam por aqueles campos e os moinhos davam um cunho particular à paisagem. Foi D. João V quem procedeu à aquisição de três quintas na zona de Belém. Passando, assim, a pertencerem à Coroa muitas das terras que, hoje em dia, cercam a Calçada da Ajuda. Porém, só com D. José l se fixaria ali uma morada real, devido ao terramoto de 1755. O monarca apanhou um susto com os estragos no Paço da Ribeira e mandou construir uma morada em madeira, mas esta não resistiu e ardeu. Em 1802, foi mandado construir o Palácio da Ajuda. E tão majestoso era o projecto que, do plano primitivo, só foi construída uma das suas quatro fachadas.
Actualmente, é nos seus esplêndidos salões que se realizam os grandes banquetes e festas oferecidos pelo Chefe de estado ao corpo diplomático ou a outros visitantes oficiais. Ao lado do palácio, ergue-se o “Galo da Ajuda”, torre sineira cujo relógio começou a trabalhar em 1776. Foi também depois do terramoto que o Marquês de Pombal mandou plantar o Jardim Botânico, o primeiro de Lisboa, datado de 1768. Neste espaço foram plantadas espécies vegetais desconhecidas da população citadina e que suscitaram a curiosidade de vários investigadores. Hoje em dia, o jardim está sob os cuidados do Instituto Superior de Agronomia. Desde 1934, o Ajuda Clube assumiu a responsabilidade pela organização da marcha popular da Ajuda, que é ensaiada no Pátio do Bonfim. É, também, neste pátio que se realiza, todos os anos, o arraial. Um acontecimento que já é característico das populações locais. O Ajuda Clube foi fundado em 22 de Outubro de 1912. A sua sede situa-se na Rua do Jardim Botânico, nº 02 e, ao longo dos anos, tem desenvolvido actividades na área do desporto e da cultura, merecendo especial referência o “karaté”, o futebol de salão, a dança jazz, o ténis de mesa e o grupo de teatro.

MARCHA DO BAIRRO DA AJUDA
Letra de Raúl Ferrão
Música de Raúl Ferrão
(Chitas)

“Ajuda bairro modesto / Mora na parte mais alta / Dava da grandeza o gesto / Se tivesse o resto / Que ainda lhe falta / Se um dia a sorte muda / Adeus brilhante passado / Nem há esperança que o iluda / Se o bairro da Ajuda / Não fôr ajudado.
Não faz bem quem se demora / Nem quem vai cedo demais / Sei que vais à Boa-Hora / Mas vê agora / A que horas vais / Passas ao páteo das Damas / E p’las Damas perguntas / Elas sabem que as não amas / Se por uma chama, vêm todas juntas. Quem passar pelo Cruzeiro / E cruzar com os olhos teus / Acautele-se primeiro / Que há jogo matreiro / Nesses dois judeus / Quando vou p’lo miradouro / Ponho-me a mirar a rua / Não há por meu desdouro / Para meu namoro cara como a tua.
(Refrão)
Ajuda é sempre bairro da alegria / Que a luz dia primeiro beija / Aonde a mocidade a golpes de vontade / Defende aquela graça que o bafeja / Conservar uma beleza primitiva / É tão altiva que em nada muda / Seu nome anda a mostrar / Que é mau quem se gabar / Que nunca precisou ter uma ajuda “.
 
 

 

 

MARCHAS POPULARES DE LISBOA
Bairro de ALCÂNTARA
 


 
“Nas docas, as velhas fragatas e as canoas foram substituídas por veleiros e iates e os antigos armazéns do peixe recebem, agora, a visita dos noctívagos da Capital. Mas, pelas vielas mais interiores, a Alcântara castiça – do Tejo e do Fado – continua a tentar resistir”.
UMA PONTE DE CULTURAS
“Uma “ponte” tinha de marcar o destino deste populoso bairro lisboeta. Na verdade, o seu nome vem do árabe e “Alcântara” significa ponte. Essa tal ponte fazia a ligação entre duas margens de uma ribeira que corria sob o que hoje é a Avenida de Ceuta, desaguando no Tejo. Curiosamente, nos nossos dias, Alcântara é marcada por uma outra ponte: a 25 de Abril. Alcântara foi local da batalha perdida por D. António Prior do Crato, contra as tropas castelhanas, em 1580. E foi, a partir do início da expansão ultramarina, lugar procurado pelos monarcas e fidalgos. Primeiro como ponto de passagem para Belém. Mais tarde, porque acham ali locais privilegiados para casas de campo e centro de caçadas. Foram, então, surgindo os principais edifícios do sítio que viria a ser o bairro popular e operário que conhecemos. Foi o caso do palácio real (no Calvário), da Igreja das Flamengas, dos conventos do Calvário e do Livramento, da belíssima Capela de Santo Amaro, assim como o Palácio das Necessidades. Alcântara, cujas águas cristalinas terão atraído os povoadores, estava repleta de hortas, azenhas e sulcada de vinhedos. A Revolução Industrial trouxe-lhe a implantação de fábricas e de muitas habitações para os respectivos trabalhadores, transformando Alcântara num bairro operário e marinheiro. Ali se instalou uma das primeiras escolas industriais do país, a “Marquês de Pombal”. Também ali a rainha D. Amélia criou um dispensário, a partir do qual se iniciou a campanha contra a tuberculose em Portugal”.

Alcântara participa nas marchas desde 1932 com o patrocínio de SFAE – Sociedade Filarmónica Alunos Esperança, sediada neste bairro na Rua de Alcântara. Este ano completa 149 anos de existência. Devem-se à SFAE alguns dos grandes nomes do teatro amador, bem como de artistas que representam a colectividade na Grande Noite do Fado, organizada pela Casa da Imprensa. As suas actividades desportivas, em várias modalidades, constituem uma ocupação dos tempos livres dos jovens residentes no bairro. Destacando-se o ténis de mesa, tendo a SFAE organizado o 1º torneio de Lisboa.

MARCHA DE ALCÂNTARA (Alcântara é diferente)
Letra de Constantino Menino
Letra de Martinho da Silva

“Que linda Alcântara / Vem hoje a desfilar / Bonitas vão / As suas carvoeiras / Lisboa, Lisboa / Alcânt’ra sabe a mar / É moça gaiata / Nos gestos e maneiras. Seus olhos são fogo / Que aquece o coração / calor que’spalha / Pelas ruas da cidade / Certinho compasso / Tem a sua canção / Alcân’ra que canta / Lisboa sem idade.
(Refrão)
Olhai / Olhai p’rás carvoeiras / Alfacinhas brejeiras / Gaivotas a voar / Cantei / Cantai com o coração / Os tempos que lá vão / D’Alcânt’ra à beira mar.
A noite é de festa / Meu bairro é Alcânt’ra / Alcânt’ra é Lisboa / Alegre e sorridente / Voando, voando / A marcha que encanta / É mais popular / Alcânt’ra é diferente. Na garganta o cantar / Do arrais pelo convés / Cantigas de amor / São trovas feitas ao Tejo / Bela carvoeira / trás ondas das marés / a alma se acalma / Lisboa ao dar-lhe um beijo”.
(Refrão)

 

 

 

 

MARCHAS POPULARES DE LISBOA
Bairro de ALFAMA

 
 
“Fado é Alfama. Vadio e cantado ao desafio. Nos restaurantes minúsculos onde os turistas se deliciam com sardinha assada ou nas rascas de pedra, nas escadinhas das ruelas íngremes ou nos becos mais escondidos. Como se o tempo
tivesse parado neste pedaço de Lisboa”.

UM BAIRRO DE MARINHEIROS

Alfama, barro velho da Capital, conserva ainda os traços característicos da Lisboa antes da conquista aos mouros. Nem o sismo de 1755, que devastou boa parte da Capital de Portugal, nem as exigências da evolução dos tempos modernos conseguiram alterar o seu estilo. Nascido fora da alcáçova do castelo, o Bairro de Alfama, transformou-se, a partir do século XlV, num local marinheiro, frequentado por marinheiro, frequentado por pescadores, mareantes e trabalhadores das fainas do rio ou do mar. No seu labirinto de escadinhas, becos e ruelas, Alfama possui grandes riquezas de uma arquitectura única, onde, ainda hoje, se encontram gravados nas pedras sinais que indicam as casas de pilotos e capitães do mar. Nestes sítios de traços singulares é possível tocar nos telhados através das janelas rendadas e dos estendais de roupa a enxugar, tantas vezes, retratados pelos homens das artes. No “Chafariz de Dentro”, dono de um invejável caudal, recolhia-se a água que abastecia as naus que atracavam no Tejo. Toda a sua vida era feita em função do rio e do mar. Mesmo as práticas religiosas eram influenciadas pela actividade marítima. Assim foram surgindo capelas e irmandades, como a dos Remédios e do Espírito Santo.
Ninguém a descreveu melhor que o jornalista e olisipógrafo Norberto de Araújo que tem o seu nome numa das ruas do bairro de Alfama. Este apaixonado por Alfama descrevia-a ao pormenor : “Labiríntica, confusa, aglomerada, polícroma, torturosa, contorcida, cheia de abraços de ruelas e de beijos, arcos, alfujas, becos, escadarias e planos, serventias e pátios, um único Rossio: o “Chafariz de Dentro”; uma única Avenida: Os “Remédios”; um único monumento: a “Torre de São Pedro”; postigos, quintas, cunhais, muros floridos, brasões, balcões, poiais; Cruzes de ermida, registos de azulejos, lápides foreiras, siglas, grades, portais esquecidos, colunas, pedras soltas, restos de muralha; empenas em bico, andares de ressalto, varões de apoio, frestas, balaústres, janelas arrendadas, janelas geminadas, janelas de reixa; mil baiúcas, exércitos de gatos, coros de pregões, tumulto e resignação, arraial perpétuo de roupas estendidas (...); gentes do mar, gentes das oficinas, vendilhões, nuvens de meninos (...).
A Marcha de Alfama é promovida desde 1983 pelo Centro Cultural Dr. Magalhães de Lima. Já obteve resultados excelentes, entre eles, quatro primeiros lugares, dois segundos e dois terceiros. Fundada em 1975, esta colectividade
pretende servir, sobretudo, os jovens o seu bairro, desenvolvendo várias actividades culturais e desportivas: A sua acção junto dos moradores do bairro mereceu o reconhecimento público coma distinção de Membro da Ordem da Liberdade, entregue por Mário Soares, na altura Presidente da República de Portugal.


MARCHA DE ALFAMA
Música de Amadeu do Vale
Música de Carlos Dias


“Alfama não envelhece / E hoje parece / Mais nova ainda / Iluminou a janela / Reparem nela / Como está linda, / Vestiu a blusa clarinha / Que a da vizinha / É mais modesta / E pôs a saia garrida / Que é só vestida / Em dias
de festa.
(Refrão)
Becos escadinhas / Ruas estreitinhas / Onde em cada esquina / Há um bailarico. / Trovas tão singelas / E em todas elas / Perfume de mangerico. / Rios, gargalhadas, / Fados, desgarradas, / Hoje em Alfama é o demónio / E em cada canto, / O suave encanto, / Dum trono de Santo António. Já se não ouvem cantigas / E as raparigas / De olhos cansados / ‘Inda aproveitam o ensejo / P’ra mais um beijo / Dos namorados. / Já se ouvem sinos vibrando / Galos cantando / À desgarrada, / Mas mesmo assim dona Alfama / Não vai para a cama / Sem ser madrugada.
 
 

 

 

 

MARCHAS POPULARES DE LISBOA
BAIRRO ALTO DO PINA
 

 

“Com o passar do tempo, as antigas quintas do senhor Pina transformaram-se. Agora, restam as lembranças das hortas e dos espaços abertos de outrora, ficou a Alameda D. Afonso Henriques da Fonte Luminosa”.
Alto do Pina era formado por um conjunto de quintas, outrora os grandes jardins da Capital. Verdadeiros exemplares da harmonia entre o Homem e a Natureza, propriedades das famílias abastadas de Lisboa, era nestes espaços privilegiados que trabalhava grande parte da população que residia na encosta que desce até Santa Apolónia. A maioria ganhava o seu sustento nas terras altas, as quais eram atravessadas por grandes artérias que ligavam a cidade ao interior. Eram propriedades do senhor Pina, um familiar de Pina Manique, Intendente da polícia nos tempos de Marquês de Pombal e da rainha D. Maria l. Assim, o nome deste bairro deve-se, essencialmente, à população que baptizou as terras altas por Alto do Pina. Esta era a zona escolhida para o lazer dos habitantes, nos dias de festas, domingos e feriados, que aproveitando a sombra das árvores, cantavam fado e modinhas, acompanhados à viola e à guitarra. Ao longo dos caminhos, ficavam os “famosos retiros”, locais de boémia, de apreciadores da “boa mesa”, da Literatura e do Fado.
Estes eram tão apreciados pelo povo como pelos fidalgos residentes no Areeiro. Actualmente, este bairro representa grande parte da freguesia de São João e vai até à do Beato. Hoje, o Alto do Pina é um bairro de contrastes, onde se misturam arquitecturas da Lisboa doutros tempos com as deste fim de século, como por exemplo, as Olarias e a Fonte Monumental da Alameda D. Afonso Henriques. Este ainda é o local de lazer escolhido pelos mais novos para brincarem e
jogarem à bola, e pelos mais idosos que aproveitam a sombra para descansarem
e jogarem às cartas”.É na Rua Barão de Sabrosa que se situa o Ginásio do Alto do Pina, fundado a 11 de Novembro de 1911. Esta colectividade promove o desporto, especialmente junto das camadas mais jovens, tendo os seus sócios a oportunidade de praticar modalidades como ténis de mesa, futebol de cinco, atletismo e ginástica, entre outras. Ainda têm à disposição uma biblioteca, uma oficina de artesanato e uma secção de teatro.
Desde 1932 que durante os primeiros seis meses do ano, o Ginásio do Alto do Pina deposita grande parte das suas energias na organização da sua Marcha.

MARCHA DO ALTO
DO PINA
(Aguarela de Lisboa)

“A marcha do Alto do Pina / Vem manter a tradição / De saudar na Avenida / Santo António e São João.
Tem o cheiro de Lisboa / Tráz a chalaça brejeira / São mangericos, ai são / Perfumando Lisboa inteira.

(Refrão)
Meu bairro, é Alto Pina / É uma aguarela / Sobre Lisboa / Pintado em tela fina / Pois Santo António / Virou “Malhoa” ! / As cores vieram do céu / Foi São João / Que as foi buscar / Quando do alto desceu / Ficou p’ra sempre / Lá a morar !
Santo António tão feliz / Como a tela que pintou / Foi ao velho chafariz / Bebeu água, descansou.
Na “Manuel dos Passarinhos” / Sentiu Lisboa num fado / Para a moça mais formosa / Arranjou-lhe um namorado.

 

 

 

 
 
 

 

MARCHAS POPULARES DE LISBOA
BAIRRO  ALTO
 
 

“Ruas antigas e sinuosas onde se cruzam velhos moradores e as gerações mais novas, frequentadoras da noite. Os bares modernos, as lojas de roupa e de artesanato foram substituindo as “boites” de alterne e os “dancing”. E, apesar do ar tradicional, o bairro ganhou nova vida”.
Em 1515, a Companhia de Jesus construiu uma ermida dedicada a São Roque, intercessor contra a peste. Era este o nome inicial do Bairro Alto. Nessas terras, as casas eram poucas ou nenhuma. O terreno servia, essencialmente, para a agricultura. Mas, em 1528, nasceu uma urbanização diferente das existentes até então na cidade. Vila Nova de Andrade era composta por ruas e quarteirões com u traçado rectilíneo. O nome deve-se ao facto de ter sido erguida na Herdade da Cotovia. O espaço dava lugar a hortas e vinhedos pertencentes a Nicolau de Andrade. Só dois séculos e meio mais tarde é que este tipo de urbanização começou a aparecer na baixa. Nessa altura, são edificadas duas capelas: a das Chagas e a do Loreto. A primeira, foi construída, sobretudo, para os navegadores; a Segunda para os italianos que visitavam ou moravam em Lisboa. Com o terramoto de 1755, parte do bairro
ficou destruída. A reconstrução foi feita de acordo com a arquitectura Pombalina e obedeceu a um esquema geométrico e rectilíneo. Devido a esta intensa modernização, o local cativou a nobreza e foram construídas residências de luxo e palácios. Em 1768, ergueu-se, no Bairro Alto, o edifício da Santa Casa da Misericórdia. A primeira Escola de Artes marítimas e o Conservatório Nacional, actual Escola Superior de Arte, teatro e Cinema também nasceram nesta zona. Actualmente, o bairro Alto divide-se em três freguesias: a de Santa Catarina, a das Mercês e a da Encarnação. Esta última, antiga freguesia do Loreto, viu nascer a maioria dos jornais lisboetas. Aliás, em quase todas as ruas do bairro Alto existia um órgão de imprensa. A influência foi tal que alterou a própria toponímia da cidade. A Rua dos Calafates, por exemplo, passou a chamar-se Rua do Diário de Notícias e a Paiva de Andrade era a antiga Rua da Luta.
Aqui surgiram e persistiram alguns jornais. Como o “Diário de Notícias”, o “Diário de Lisboa”, o “Diário Ilustrado” ou o “Jornal da Tarde”. O Lisboa Clube Rio de Janeiro resultou da fusão de outras duas colectividades existentes no bairro, em 1938. O Lisboa Clube focava as suas actividades principais nos campos cultural e recreativo. O União Clube Rio de Janeiro estava mais vocacionado para a vertente desportiva, principalmente, para o ciclismo. Talvez por isso, a primeira actividade a ser fortemente impulsionada pelo clube foi, precisamente, a desportiva, mas dando maior destaque à luta, ao boxe, ao ténis de mesa, ao basquetebol, à ginástica e ao futebol de cinco. Na luta, a colectividade já tem cerca de quarenta atletas praticantes que competem a nível internacional e conseguem, quase sempre, excelentes resultados. Porém, o ciclismo continua a ser “a menina bonita dos olhos” da colectividade. Sem esquecer a atenção que depositam nas marchas populares do bairro e no arraial, que são de âmbito cultural.

MARCHA DO BAIRRO ALTO
(Olhem bem o Bairro Alto)

“O Bairro Alto / Vistoso e com “Gajé” / Mora tão alto / para mostrar quem é.
Bairro de artistas / Que colhe tanto génio / Quer dar nas vistas / Ao chegar ao milénio!
E com vaidade / Dizer que é alguém / Nesta cidade / A quem quer tanto bem.
Bairrismo eterno / Vive em seu coração / Está mais moderno / Mas honra a tradição.
(Refrão)
Olhem bem o Bairro Alto / Cantando / Bailando / Com garbo e alegria / Olhem bem o bairro Alto / Que a “Estranja” / É canja ! / Visita noite e dia.
Olhem bem o Bairro Alto / Artista / Fadista / Que mostra ter bom gosto. / Ó Lisboa que és amiga / Aceita esta cantiga / E vem cantar co´nôsco.
No Bairro Alto / Com tascas nas vielas / Ouve-se o fado / Cantado à luz de velas.
E a juventude / Em noites de lazer / Vem amiude / Ciosa de aprender.
No Bairro Alto / Altar desta cidade / Há sempre um beco / Onde mora a saudade.
Gente modesta / Mas sempre aberta ao génio / Já está em festa / Sonhando com o milénio.
 

 
 
MARCHAS POPULARES DE LISBOA
BENFICA

 

  “A origem do nome concedido à freguesia de Benfica é ainda um mistério. Foram avançadas as mais diversas propostas, desde as mais românticas e palacianas até às puramente linguísticas. Uma das teorias defende que se dizia que bem fica” localizada esta zona. Uma ideia criada pela riqueza agrícola e pela abundância e qualidade das suas águas. Outra conta que D. João l, ao dar a sua bela Quinta de São Domingos aos padres dominicanos, dissera a D. João das Regras que o acompanhava: “Aqui bem-fica o convento”.
O que se sabe e está registado, é que no século Xlll já existia a localidade com esse nome. Os habitantes mais antigos, desde o princípio da nacionalidade, foram apelidados de “saloios”, palavra que vem do árabe e designava os mouros “forros” ou livres. Este muçulmanos tinham decidido acomodar-se a algumas normas dos cristãos e puderam, por isso, continuar nas suas terras. Eram uma gente esperta, trabalhadora, astuta nos negócios, alegre e persistente. Se, outrora, Benfica esteve fora da área limítrofe de Lisboa, hoje é uma freguesia urbanizada. Benfica de outros tempos é descrita como uma localidade onde as quintas se seguiam umas às outras, a verdadeira horta de Lisboa. Entre as quintas mais famosas encontram-se a de Pedralvas, Tojal, Charquinho e Casquinha.
Os saloios de Benfica deslocavam-se a Lisboa para venderem frutos, legumes e flores. Ao mesmo tempo, coexistia a Benfica dos palácios, quintas grandiosa e casas de campo da aristocracia que fugia da vida da cidade, refugiando-se na então distante província. As festas sempre foram uma constante do bairro.
Bastará lembrar que alguns dos mais famosos retiros de “fora de portas” ficavam nesta zona. Bailes, arraiais, fados e petiscos eram uma constante na região. As grandes mudanças na fisionomia de Benfica ocorreu já no século XX, quando o ar rural desapareceu e deu lugar a grandes urbanizações. Hoje em dia, é um bairro habitacional dos mais populosos de Lisboa, mas Benfica não perdeu a sua alma”.
O Clube Futebol Benfica (CFB) – o popular “Fófó”, fundado em 1933, tem um passado de que se orgulha. Foi, várias vezes campeão em diversas modalidades, destacando-se os Campeonatos nacionais de Hóquei em Patins e Hóquei em campo. Mas nada de confusões com o outro Benfica, (o Sport Lisboa
e), conhecido mundialmente, principalmente, no mundo do futebol e onde jogou o grande Eusébio.
O Clube Futebol Benfica, dedica grande parte das suas energias à causa despostiva, sem descurar a componente cultural que tem como ponto forte a Marcha de Benfica. Assim, mais de mil jovens e adultos da freguesia têm a oportunidade de ocupar os seus tempos livres em modalidades desportivas como o futebol, voleibol, andebol de sete, basquetebol, “Râguebi”, atletismo, ginástica, pesca desportiva, natação, ténis de mesa e “karaté”.
 
MARCHA DE BENFICA
(1935)
Letra de Norberto de Araújo
Música de Raúl Ferrão

“Eh raparigas / Isto agora é andarmos p’ra frente / Saltam cantigas aos molhos / Um riso nos olhos / E coração quente.
Cá vai Benfica / E quem fica não vai concerteza / Ser alegre é que é preciso / Pois quem tem o riso /Tem sempre beleza.
(Refrão)
Olha a marcha de Benfica / Qual saloia cantadeira / Que entra na festa contente / Ai, ninguém fica sem cantar / a vida inteira / A linda marcha da nossa gente.
Hája alegria / Alegria é um bem que se abraça / Um desejo uma quimera / Por isso se espera / A marcha que passa.
Cá vai Benfica / Toda alegre e contente p’ra dançar / Há sempre um sorriso suspenso / Um tesouro imenso / Que nos vem da herança.
 
 
 
MARCHAS POPULARES DE LISBOA
BAIRRO DE BICA
 

 
“O elevador (bondinho) amarelo, sob a forma de um pequeno eléctrico da carris, continua a galgar a encosta íngreme da Bica. E, durante a viagem lenta, podemos avistar as calçadas e os becos mais típicos do Bairro”.
Os moradores da Bica sempre mantiveram uma estreita ligação com a vida marítima do Tejo. Este pitoresco bairro é composto por um conjunto de calçadas, escadinhas, quelhas e becos. A sua origem remonta a uma catástrofe natural. Em 1597, um aluimento de terras entre o Alto de Santa Catarina e o
Alto das Chagas formou um vale que deu o aspecto íngreme à Bica. Nesta altura, Lisboa era muito procurada por pessoas de fora que queriam trabalhar no rio. O grande aumento populacional fez que as zonas da Bica, São Paulo e Boavista fossem habitadas por mareantes, pescadores, aguadeiros, peixeira e
todo o tipo de vendedeiras. Julga-se que o nome do bairro deriva de uma bica cuja água flui ruidosamente para um tanque do século XVlll, no Pátio de Broas ou Vila Pinheiro. Fica na Calçada da Bica. Para além desta, este espaço é composto por nomes como a Calçada da Bica Pequena, o Beco dos Aciprestes, o Largo de Santo Antoninho, a Bica Duarte Melo, a Rua do Almada, e o famoso elevador da Bica. É este que mantém estreitos os laços entre a Bica e Santa catarina ou o Bairro Alto. Porém, nem todas as bicas e fontes se resumem à toponímia. Construída em 1675, a Bica dos Olhos é conhecida pela sua eficácia no tratamento de doenças dos olhos. Neste bairro, eram frequentes os pregões dos aguadeiros, na sua grande maioria Galezes, que enchiam as ruas de sons e de presença humana. Em Lisboa, a falta de água era frequente. As bicas e fontes eram habitualmente locais de encontro.
A origem do Marítimo Lisboa Clube foi muito influenciada pelo Tejo e pelas suas actividades marítimas. Em 1944, um grupo de homens ligados à faina marítima resolveu fundar a colectividade. Em 1952, a Marcha da Bica saiu pela primeira vez à rua. Nesse ano, o bairro atingiu o primeiro lugar. O que voltaria a acontecer em 1955, 1958, 1963, 1970 e 1992. Todos os meses de Junho, a Bica veste-se a rigor para a folia. As sardinhas, o vinho, o caldo verde e o arroz doce perfumam o ar. Por entre estes cheiros característicos de Lisboa neste mês, a alegria dos cantares tradicionais: “É este amor, revolto e a saber a sal, que cantam as gargantas das mulheres deste bairro, tão frescas como a água que jorra das bicas, tão rebeldes como o mar que lhes leva os seus amados”. A organização das marchas populares da Bica está, desde sempre, a cargo do clube. O mesmo acontece com os Arraiais, que também já foram premiados. Em 1989, 1922 e 1995 a Bica ganhou o prémio pelo melhor arraial das festas da cidade. O bairro também já levou para casa o título da rua mais bem enfeitada. Além da componente cultural, o clube dedica-se à prática desportiva, onde se inclui o atletismo, o futebol e o ténis de mesa.
 
MARCHA DA BICA
(Na Bica o sol brilha mais)
Letra de Carlos Barrela
Música de António Miguel Henriques
 
 “Na Bica o sol brilha mais / Vem aquecer as gaivotas / Que andam a namoriscar / Primeiro incendeia o cais / Depois vai de porta em porta / Por todo o bairro a brilhar.
Beija os corpos enlaçados / Afaga a curva de um rosto / Cobre de ouro a solidão / E anda a tecer bordados / Desde manhã ao sol posto / Sobre as pedrinhas do chão.
(Refrão)
A bica aquece / Quase endoidece / E a vida parece / Menos dura / A Bica brilha / Que maravilha / Veste-se de poesia / E de ternura / A Bica aquece / Quase endoidece / Por com tanto calor / Ser abraçada / A Bica brilha / Que maravilha / Sente-se mais feliz e / Mais amada.
Na Bica o sol brilha mais / Vem maquilhar as tristezas / Que passam de rua em rua / Faz das janelas seus vitrais / Come à mesa pobreza / Anda às avessas com a lua.
Conhece histórias velhinhas / Sabe de cor as cantigas / Que andam na Bica pelo ar / E quando chega a tardinha / Apesar de mil fadigas / Teima em não se querer deitar ...
 
 
 

 

MARCHAS POPULARES DE LISBOA
BAIRRO DE CAMPO DE OURIQUE
 


 “Em Campo de Ourique já quais ninguém se recorda dos velhos moinhos e do pão que se distribuía pela Cidade. Agora, apesar de cosmopolita, o bairro na abdica das suas avenidas frondosas e do Jardim da Parada”.
O bairro que fornecia farinha e pão à grande cidade. Campo de Ourique era terra de moinhos e padeiros. Uma espécie de Campolide onde o trigo imperava.
Está, essencialmente, dividida em duas zonas distintas: uma mais ligada a Santa Isabel, a outra chegada ao Santo Condestável. A primeira, a mais antiga, desenvolve-se a partir de 1755, ano do grande terramoto. Depois da catástrofe, a população concentrava-se nos locais menos atingidos. A segunda, tinha uma aparência moderna. Substituiu os olivais e as quintas que ali existiam. Apresentava traçados geométricos que remontam ao século XVll e às primeiras décadas dos anos 90. A Arte Nova, corrente artística que se enraízou nas tendências criativas dos artistas do século XlX, deixou vestígios um pouco por todo o bairro. Já na segunda metade do século XlX que o bairro sentiu necessidade de projectar novas ruas. A razão foi a construção do Cemitério do Prazeres; Campo de Ourique passou a ser conhecido por “Bairro Latino”. A designação deve-se aos inúmeros e talentosos artistas que ali residiam. Vivia-se um ambiente de boémia e intelectualidade.
Escritores, artistas e estudantes completavam o cenário nos cafés e cervejarias da zona. Entre eç Pessoa. A casa do artista é hoje um centro de cultura.  Campo de Ourique passa a ser apelidada de liberal e republicana. O primeiro título justifica-se pela quantidade de
ruas que homenageiam personagens do liberalismo, como sejam ferreira Borges ou Almeida e Sousa. O segundo, pela presença dos conspiradores de 1910, algures entre quatro paredes da Rua Saraiva de Carvalho.
A Sociedade Filarmónica Alunos de Apolo surge da união entre cabos de polícia e civis a 26 de Maio de 1872. O projecto inicial dos Cabos de Segurança Pública da Freguesia de Santa Isabel pretendia formar uma banda filarmónica. Tinha a intenção de chamar-lhe “União e Capricho”. Depois aceitaram a ajuda de alguns membros da população, concluíram que esta nova estrutura não poderia funcionar, tal era a divergência de opiniões entre os dois grupos. A “União e Capricho” acabou por desaparecer e assim surgiu a SFAA – Sociedade Filarmónica Alunos de Apolo. Actualmente, a principal dinâmica do grupo são as danças de salão, que criou pólos da modalidade no
Porto, Santarém e Setúbal, formalizando a Federação Portuguesa de Dança Desportiva.
MARCHA DE CAMPO DE OURIQUE (Alfacinha)
Letra de Constantino Menino
Música de Mário Gualdino

“A marcha cá vai / Alegre contente / Por esta Lisboa ao luar / E Lisboa sai / Feliz sorridente / P’ra ver a marcha passar / É Campo de Ourique / Meu bairro aqui vai / Calados; não fiquem não / Venham para a rua / A noite está bela / Venham ver Lisboa / E cantem com ela.
(Refrão)
A marcha que passa / É Campo de Ourique / Com arte e com graça / Cá vai no despique / A canção qu’entoa / É alma é vida / Da nossa Lisboa / É minha é tua / Pois anda cantar / Olha como a lua / Está, hoje a brilhar / Vai lá meu bairro / P’ra Rainha Santa / Te abençoar. A noite é de festa / Por Santo Antoninho / Devoto e casamenteiro / Lisboa modesta / Enfeita o arquivo / E marcha com ar brejeiro / É Campo de Ourique / Meu bairro é pessoa / Na forma mais popular / Olhem que o meu bairro / É bem alfacinha / Reza a Santo António / E à Santa Rainha.
(Refrão) “
 
 
publicado por marchaslisboa às 07:31
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